6-Fontes de pesquisa :
http://www.slideshare.net/RebecaXavier/inocncia
http://www.resumosdelivros.com.br/v/visconde-de-tauany/inocencia/
http://pt.wikipedia.org/wiki/Inoc%C3%AAncia_%28livro%29
Análise Literária " Inocência"
quinta-feira, 29 de novembro de 2012
5-Análise literária:
Inocência é um romance regionalista brasileiro
de Alfredo d'Escragnolle Taunay, dividido em 30 capítulos - que são
introduzidos por uma citação - mais um epílogo. Foi publicado em 1872 e
retrata costumes, pessoas e ambientes do leste sul-matogrossense (sertão),
notadamente a cidade de Paranaíba e a frente colonizadora dos Garcia Leal.
Como o Romantismo estava em decadência na época em que a obra foi
escrita, pode-se considerá-la de transição para o Naturalismo, devido a uma
grande e infalível caracterização do homem como produto do meio, isto é, ele
age de acordo com o tipo de vida que leva.
Inocência é considerado um livro
do regionalismo porque valoriza os costumes típicos do mundo rural e as
particularidades do meio natural.Ahospitalidade que o sertanejo dá aos
viajantes que pedem pousada, a preservação de honra que precisa assegurar a
família, o casamento como acordo entre famílias, o analfabetismo, o
comportamento vingativo, a crendice e os juramentos à santos. Apenas podemos
conhecer esse regionalismo através dos sertanejos Pereira e sua filha
Inocência, mas isso não basta: Taunay introduziu dois personagens no enredo que
não faziam parte desse ambiente, ou seja, Cirino e Meyer, e é por meio de ambos
que os leitores irão compreender a família do sertão.
Sob outro aspecto, os enredos
secundários do livro são considerados quase todos como realistas e, embora ele
possua um enredo ultra-romântico, os personagens Cirino e Inocência nos são
apresentados de forma mais humana do que os outros personagens dos livros
românticos da época de Taunay. Podemos concluir que Taunay combinou o discurso
romântico com o realista e, com isso, produziu um estilo raro na literatura
brasileira, engendrando na obra elementos típicos de todas as histórias de amor
e também elementos que descrevem a fala e o ambiente de uma região (no caso, o
sertão do Brasil). Em Inocência, Taunay caminha pela comédia, pelo drama e pelo
romance. O personagem Meyer, naturalista alemão, às vezes é descrito como uma
pessoa que tem grandes conhecimentos científicos, mas que pouco sabe da
estreiteza moral do mundo que vive e é considerado um dos protagonistas mais
cômicos da ficção brasileira do século XIX quando comete algumas
trapalhadas.Mas, de fato, o drama se estabelece com o assassinato de Cirino que
acaba formando um fim trágico onde a protagonista definha em amargura, solidão
e tristeza e morre numa caracterização típica do romantismo. Ao mesmo tempo, o
encontro amoroso, os conflitos familiares e o fim trágico em Inocência também são
vistos como aventura.
4-Síntese do enredo:
O romance conta a história de amor impossível
envolvendo Inocência, filha de Pereira, um mineiro rude, pequeno proprietário
da região e Cirino, um aprendiz de farmacêutico que se autodenomina médico. O
relacionamento dos dois é inviável porque Inocência é prometida a Manecão Doca,
um rústico vaqueiro das redondezas e também porque o pai vive a vigiar a filha,
para garantir-lhe a integridade até o casamento.
São poucos os personagens que aparecem nesta
história. De um lado, a casa de Pereira, onde encontramos: ele, a filha, o anão
(espécie de guardião de Inocência), o noivo “ausente”, um filho – apenas
mencionado na história e mais dois personagens: Chiquinho, irmão de Pereira que
se corresponde por carta com a família e Antônio Cesário, padrinho de Inocência.
Pereira é o centro da família de tipo patriarcal
rural, possuidora de certa posse, personificando tipicamente, por assim dizer,
os valores do homem rústico em suas relações com a família e os moradores da
redondeza. O narrador chama-lhe “legítimo sertanejo, explorador dos desertos”.
Homem nômade, instalou-se num retiro “perdido” no cerrado do sul do Mato Grosso.
A situação da mulher, no entanto, é bem adversa. A
única educação que Inocência recebera foi com relação às tarefas domiciliares,
“treinada” à obediência passiva em relação ao pai e depois ao marido escolhido
por ele.
O nome Inocência revela traços da personalidade da
moça: delicada beleza, aos olhos do apaixonado Cirino e do naturalista Meyer,
encantado com todas as belezas naturais; natural inocência frente ao mundo
civilizado, que vagamente imaginava em sua mente; inocência diante do amor,
despertado por Cirino, com ousadas e desatinadas ardências, que em nada
aparenta ser inocente.
Negociado o casamento, Manecão passa a ser admitido
na intimidade da família, assumindo aos poucos os “encargos” de chefe familiar.
É aí que aparecem Cirino e Meyer, gerando o conflito.
Cirino, auto-intitulado médico, instruiu-se no
respeitado Colégio Caraça de Ouro Preto. Prático em farmácia, possuía um famoso
Dicionário de Medicina Popular, um Chernoviz, referência ao autor do compêndio,
espécie de “livro de cabeceira” para orientá-lo no tratamento das doenças
populares do sertão.
Apesar de sua instrução, que o liga ao mundo
urbano, suas origens e sua profissão mantêm-no ao mundo rural. Ele conhece e
respeita os valores desse universo, embora discorde da postura de Pereira com
relação à mulher.
Um componente que orienta a narrativa é o acaso.
Foi por acaso que Pereira conhecera Cirino, na estrada, a caminho da vila de
Sant’ana do Parnaíba, que por coincidência menciona a doença da filha e Cirino
se prontifica a curá-la. Sem essas circunstâncias, não seria possível
introduzi-lo na família. Nasce, a partir do encontro entre “médico e paciente”,
a paixão mútua, impedida pelo comprometimento com Manecão.
Meyer também contribui para o desequilíbrio
familiar por uma única razão: ele desconhece as rígidas normas de comportamento
familiar do sertão, pois é um naturalista alemão, um homem urbano. Ele é
recebido por Pereira, de posse de uma carta de seu irmão mais velho,
recomendando-lhe que o recebesse como o próprio irmão. O conflito começa quando
Meyer, ingenuamente, passa a elogiar a beleza de Inocência, em termos não
adequados ao ambiente rústico do sertão. Essa diferença entre os valores
europeus e os do meio rural brasileiro é decisiva para que Pereira sentisse
ameaçada a integridade moral de Inocência, passando a vigiá-lo constantemente,
abrindo caminho para o amor crescente de Cirino e Inocência.
A resistência do casal se dá dentro dos limites e
respeitando os valores desse ambiente onde vivem, pois estão em cheque a
autoridade paterna e os direitos do noivo. Esses valores ainda resistem à nova
forma de encarar o casamento, presente nos meios urbanos.
O desfecho do romance se encaminha para a
eliminação do casal amoroso e da desarmonia gerada por ele. Inocência morre,
mas é imortalizada, renascida, como nome de borboleta – Papillio Innocentia –
pelo naturalista Meyer, libertando-se do sertão e integrada para o mundo da
ciência.
3- Tempo, espaço, justificativa:
No romance regionalista, falar do espaço é tratar de tudo que entra para a definição do próprio gênero. A começar pelos personagens, que vivem de tal modo ligados à terra, que muitas vezes suas ações são orientadas pelos elementos naturais, pois nesse tipo de romance há uma interação entre o homem e seu espaço vivencial. No romance regionalista, o espaço natural — campos, estradas, pomares, florestas, bosques, cachoeiras, rios, lagos — é a mais precisa expressão do locus amoenus da tradição clássica, o lugar ideal, harmonioso, pacífico, onde vive o homem natural, puro, sem o mínimo contato com o mundo urbano. Esse “lugar» é o cenário da intimidade dos personagens; tudo o que nele ocorre permanece no âmbito do mais recôndito mundo privado. É como se a vida pública não existisse. O espaço imenso, grandioso e ameno do sertão é o único lugar capaz de abrigar os grandes conflitos do homem.
O leitor de Inocência é introduzido nesse espaço privilegiado desde o primeiro capítulo, sintetizado de modo notável pela epígrafe do escritor francês JeanJacques Rousseau (1712-1778), cujas obras tiveram importância decisiva para o Romantismo, sobretudo no que se refere ao mundo do idílio e da natureza de modo geral. A epígrafe que introduz o capítulo 1 do romance diz o seguinte:
Então com passo tranqüilo metia-me eu por algum recanto da floresta algum lugar deserto, onde nada me indicasse a mão do homem, me denunciasse a servidão e o domínio; asilo em que pudesse crer ter primeiro entrado, onde nenhum importuno viesse interpor-se entre mim e a natureza.
Existem duas datas que definem a duração do conjunto de
episódios que constituem a narrativa de Inocência o dia 15 de julho de 1860 e o
dia 18 de agosto de 1863. O primeiro é o dia do encontro de Cirino com Pereira;
o segundo, o dia em que Meyer apresenta à comunidade científica alemã — a
Sociedade Geral Entomológica — seu grande achado em terras brasileiras. Após
anunciar o noticiário do evento no jornal local, O Tempo (Die Zeit), o narrador
nos informa:
Exatamente nesse dia fazia dois anos que o seu gentil corpo fora entregue à terra, no imenso sertão de Sant’Ana do Paranaíba, para aí dormir o sono da eternidade. (p. 148)
Tais referências temporais são os termos da equação para que possamos chegar à noção do tempo e da duração dos acontecimentos narrados; presume-se, portanto, que tais fatos tenham ocorrido entre os anos de 1860 e 1861. Os dois anos que se seguiram constituem um espaço vazio. Entendemos que tal foi o tempo necessário para Meyer vencer a distância que separava seu país das terras brasileiras. Mas é esse tempo “morto” que nos surpreende no final da história e nos leva a refletir sobre os temas centrais da narrativa. É preciso uma reflexão mais aprofundada sobre ele.
Exatamente nesse dia fazia dois anos que o seu gentil corpo fora entregue à terra, no imenso sertão de Sant’Ana do Paranaíba, para aí dormir o sono da eternidade. (p. 148)
Tais referências temporais são os termos da equação para que possamos chegar à noção do tempo e da duração dos acontecimentos narrados; presume-se, portanto, que tais fatos tenham ocorrido entre os anos de 1860 e 1861. Os dois anos que se seguiram constituem um espaço vazio. Entendemos que tal foi o tempo necessário para Meyer vencer a distância que separava seu país das terras brasileiras. Mas é esse tempo “morto” que nos surpreende no final da história e nos leva a refletir sobre os temas centrais da narrativa. É preciso uma reflexão mais aprofundada sobre ele.
2-Foco narrativo, justificativa e se influencia na história:
O ponto de vista externo define o narrador de Inocência como um narrador onisciente, que é tendência dominante na narrativa romanesca do século XIX. É o modelo clássico, que confere plenos poderes a uma só focalização: tudo é apresentado a partir de um único ponto, com onisciência e onipresença. Esse é, sem dúvida, um modelo narrativo que atende às necessidades do romance regionalista, que focaliza a vida, os costumes, os valores sociais a partir de um único ponto de vista. “Pereira, que, seguindo o mesmo caminho, voltava para casa depois da frustrada tentativa de conseguir remédio para a filha doente. O encontro casual com Cirino lhe trouxe não apenas um parceiro de prosa, mas também o remédio que procurava.”
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